Saturday May 19th 2012

Archives

ÁGATA 3: MISSÕES DE RECONHECIMENTO A PARTIR DE VILHENA

Informes da FAB também tratam das operações de reabastecimento em voo e ações no solo após interceptações

Poder Aéreo: domingo, 4 de dezembro de 2011

Por Fernando "Nunão" De Martini

A Força Aérea está baseada na cidade de Vilhena, sul de Rondônia, na fronteira oeste do Brasil. Caças A-1, A-29 Super Tucano, helicópteros H-60 BlackHawk, avião de reconhecimento R-35 e de transporte C-95 Bandeirante e C-98 Caravan movimentam o aeroporto da cidade durante a Operação Ágata 3.

Nessa operação, a FAB está cumprindo as missões de reconhecimento aéreo. As informações coletadas nos voos sobre a região de fronteira são usadas em apoio ao Exército, Marinha, Receita Federal, FUNAI, IBAMA, ABIN e órgãos de Segurança Pública.

Além disso, as aeronaves da Força Aérea Brasileira estão preparadas para cumprir missões como interceptações de aviões em voos irregulares ou até o ataque de alvos no solo.

Caças A-1 da FAB partiam de Vilhena para as patrulhas aéreas com direito a reabastecimento em voo – Foto FAB

Com 77 mil habitantes, Vilhena (RO) é uma posição estratégica para as Forças Armadas do Brasil. Na cidade, funciona um Destacamento de Controle do Espaço Aéreo e o aeroporto tem um pátio de estacionamento construído para operações militares. Durante a Ágata 3, Rio Branco (AC) e Cuiabá (MT) também recebem aviões da FAB durante a Operação, além das Bases Aéreas de Campo Grande (MS) e Porto Velho (MS).

A área de operações tem aproximadamente 8 mil quilômetros de extensão e envolve toda a região de fronteira do Brasil com o Peru, a Bolívia e parte do Paraguai. O principal objetivo da Operação Ágata 3 é combater o tráfico de drogas, armas, além de crimes ambientais e fiscais, como o contrabando.

Caças da FAB fazem reabastecimento em voo

Durante a Operação Ágata 3, as aeronaves de caça da FAB utilizam o recurso do reabastecimento em voo para permanecer mais tempo cumprindo suas missões. O caça bombardeiro A-1 AMX poderia decolar da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e seguir sem escalas até Fortaleza (CE). Com o reabastecimento em pleno voo, pode alcançar qualquer ponto da América do Sul, por exemplo. “A nossa aeronave já tem uma autonomia muito boa, mas com o reabastecimento em voo o limite passa a ser as condições fisiológicas do piloto”, revela o Tenente Coronel Denison Ferreira, Comandante do Esquadrão Adelphi, uma das unidades de A-1 da FAB.

Caças A-1 vistos da aeronave reabastecedora KC-130 em operações de patrulha – Foto FAB

Para realizar o procedimento, uma aeronave reabastecedora sobrevoa uma área programada até que os caças se aproximam. O avião “tanque” libera uma mangueira que se estende por cerca de 12 metros. Os caças se aproximam com uma velocidade um pouco menor até que probe (uma espécie de haste que fica do lado superior direito do piloto de caça), se conecte à mangueira. O combustível é transferido por essa conexão.

A Operação Ágata 3 conta com aeronaves KC-130 que são responsáveis por prover o reabastecimento em voo das aeronaves de caça.

Da interceptação às medidas de controle no solo

Durante a Operação Ágata 3, que ocorre no bordo ocidental da fronteira amazônica, são realizadas missões de interceptação que podem ocasionar o pouso obrigatório de aeronaves utilizadas para o tráfico e contrabando. As possíveis aeronaves ilícitas são vigiadas pelo controle de tráfego aéreo brasileiro 24 horas por dia e caso haja necessidade, um piloto de caça da FAB poderá instruir o piloto da aeronave infratora a efetuar um pouso, denominado pouso obrigatório, para averiguação de irregularidades.

Essas missões tem por objetivo impedir que uma aeronave utilize o espaço aéreo brasileiro para fins ilegais e são iniciadas por determinação do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) em Brasília.

Caça A-1 pronto para uma surtida no aeroporto de Vilhena – Foto FAB

Além da aeronave interceptadora, uma equipe aerotransportada de pronta resposta, composta por militares da Força Aérea Brasileira é acionada imediatamente, com o propósito de atuarem junto aos possíveis traficantes, que normalmente tentam fugir pela mata após pousarem em locais muitas vezes impróprios para a operação de aviões.

Uma vez no chão, esta tropa de apoio terrestre possui a missão de conter os possíveis fugitivos ou traficantes até que a polícia federal chegue ao local. Na ausência da autoridade competente e configurado o crime, os militares da FAB podem realizar a captura e a prisão em flagrante, com o posterior encaminhamento à Polícia Judiciária para a lavratura do auto correspondente.

Um helicóptero H-60L – Black-Hawk, em patrulha na operação Agata-3 – foto FAB

Estas tropas terrestres pertencem às Unidades de Infantaria de Manaus, Porto Velho, Boa Vista, Campo Grande e Brasília e são equipados com pistolas, fuzis, capacete, binóculo para visão noturna (NVG), colete balístico, GPS, algemas e rádios para comunicação. Além disso, portam consigo uma ração para consumo individual e água, para o caso de permanência no local da abordagem.

Considerando a flexibilidade como uma das mais importantes características de uma Força Aérea, as operações militares realizadas durante a Ágata 3, possibilitam que a lei e a ordem prevaleçam nos locais mais remotos do Brasil.

FONTE / FOTOS: FAB (Agência Força Aérea) 

One Comment for “ÁGATA 3: MISSÕES DE RECONHECIMENTO A PARTIR DE VILHENA”


Deixe um Comentário

Mais desta Categoria

A Festa já começou… Fumaça… já
A Festa já começou… Fumaça… já

Faltando 5 dias para a festa, a Esquadrilha da Fumaça (EDA) acaba de divulgar a programação das [Read More]

Operação Ágata 4 mantém patrulhamento nas fronteiras com países sul-americanos
Operação Ágata 4 mantém patrulhamento nas fronteiras com países sul-americanos

A FAB identificou as pistas em reservas indígenas no estado de Roraima. O comando da operação [Read More]

Embraer sob controle do Estado
Embraer sob controle do Estado

Insatisfeito com gestão na Embraer, o governo intervém para que a fabricante atenda aos seus interesses [Read More]

Embraer manda aviso para Força Aérea dos EUA
Embraer manda aviso para Força Aérea dos EUA

A brasileira Embraer ameaçou retirar-se da reedição do contrato político para compra de [Read More]

Governo ainda não decidiu qual modelo de caça será comprado
Governo ainda não decidiu qual modelo de caça será comprado

Após reunir-se em Brasília com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, o ministro [Read More]

Conheça os detalhes da modernização da aeronave A-1M da FAB
Conheça os detalhes da modernização da aeronave A-1M da FAB

Velocidade, altitude, ângulo, vento, peso e muitos outros cálculos precisavam estar perfeitos para que um [Read More]

Força Aérea dos EUA se contradiz e afirma que queda de F-22 em 2010 não foi culpa do piloto
Força Aérea dos EUA se contradiz e afirma que queda de F-22 em 2010 não foi culpa do piloto

Três meses depois que a Força Aérea colocou a culpa justamente sobre um piloto de caça F-22 [Read More]

A Boeing entrega o primeiro P-8A  Poseidon para a Marinha Americana
A Boeing entrega o primeiro P-8A Poseidon para a Marinha Americana

Derivado do 737-800  Next-Generation, o Poseidon é construído por uma equipe industrial liderada [Read More]

Reino Unido tem várias dúvidas sobre seus porta-aviões e os F-35s
Reino Unido tem várias dúvidas sobre seus porta-aviões e os F-35s

O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que está revendo partes do programa para [Read More]

A revolução Rafale na Índia
A revolução Rafale na Índia

As encomendas da Índia no setor de defesa são um jogo para os pacientes. Por mais de cinco anos, um grupo [Read More]